13/03/2025
Entendendo a Diretiva NIS2: o que é e por que é importante?

A Diretiva NIS2 (Network and Information Security 2) é uma regulamentação da União Europeia voltada para fortalecer a segurança cibernética nos Estados-membros. Criada para substituir a Diretiva NIS1 (2016), a NIS2 estabelece regras mais rigorosas para proteger infraestruturas críticas e garantir um alto nível de resiliência digital em setores estratégicos. 

Desde que entrou em vigor em 16 de janeiro de 2023, a NIS2 tem um papel fundamental na mitigação de riscos cibernéticos e na padronização das práticas de segurança digital entre os países da UE. 

Por que a NIS2 é essencial? 

  • Aumento da frequência e sofisticação dos ataques cibernéticos no mundo, impactando setores essenciais como energia, transporte e serviços financeiros.
  • Falhas da NIS1, que deixavam lacunas na segurança cibernética e variabilidade na aplicação das regras pelos Estados-membros.
  • Adoção obrigatória: Os países da UE tiveram até 17 de outubro de 2024 para transpor a diretiva para suas legislações nacionais. A partir de 18 de outubro de 2024, a NIS1 foi oficialmente revogada.

A NIS2 não se limita apenas a exigir conformidade, mas também traz benefícios estratégicos às organizações, como maior proteção contra ataques, aumento da confiança do mercado e redução de riscos operacionais. 

Nos próximos tópicos, vamos explorar a evolução da NIS1 para a NIS2, os setores afetados e os requisitos obrigatórios para as empresas evitarem multas e penalidades severas. Confira! 

Evolução da Diretiva NIS para NIS2: o que mudou? 

A segurança cibernética tem sido uma preocupação crescente para os países da União Europeia, especialmente com o aumento dos ataques cibernéticos direcionados a infraestruturas críticas. Diante desse cenário, a Diretiva NIS1, adotada em 2016, foi um passo inicial para garantir um nível mínimo de proteção para setores essenciais. 

No entanto, com o avanço das ameaças e a crescente dependência digital, ficou evidente que a NIS1 possuía limitações significativas, exigindo uma reformulação mais abrangente. Assim, a Diretiva NIS2 foi proposta em 2020, aprovada em 2022, e entrou em vigor em 16 de janeiro de 2023, substituindo oficialmente a versão anterior. 

Principais problemas da NIS1 

  • Falta de padronização entre os Estados-membros: A implementação variava muito entre os países, gerando inconsistências na segurança cibernética da UE. 
  • Cobertura limitada: Apenas algumas indústrias foram incluídas na NIS1, deixando de fora setores essenciais para a economia e segurança da sociedade. 
  • Medidas de segurança pouco rigorosas: A diretiva original não estabelecia padrões claros para a governança de riscos cibernéticos. 
  • Mecanismos de resposta a incidentes ineficientes: As exigências para notificação de incidentes eram flexíveis demais, comprometendo a velocidade e a eficácia das respostas. 

O que a NIS2 mudou? 

A NIS2 foi criada para resolver as falhas da NIS1 e garantir um nível mais alto de segurança digital na União Europeia. Entre as principais mudanças, destacam-se: 

  • Abrangência maior: Mais setores foram incluídos, cobrindo um espectro mais amplo da economia e infraestrutura crítica. 
  • Padrões de segurança mais rigorosos: As empresas agora devem adotar práticas robustas de governança e gestão de riscos cibernéticos. 
  • Requisitos de notificação aprimorados: As organizações afetadas devem relatar incidentes graves dentro de 24 horas e fornecer um relatório detalhado em até 72 horas. 
  • Sanções mais severas: Empresas que não cumprirem a NIS2 poderão enfrentar multas de até 2% do faturamento global anual. 
  • Maior responsabilidade da alta gestão: CEOs e diretores agora são responsáveis diretos pela implementação das medidas de segurança cibernética. 

A NIS2 não apenas expande o escopo de proteção, mas também cria um ambiente mais uniforme e estruturado para a segurança digital na Europa.  

Principais objetivos da NIS2  

Como falamos anteriormente, a NIS2 foi desenvolvida para corrigir as falhas da NIS1 e garantir um nível mais elevado de segurança cibernética em toda a União Europeia. Seu principal objetivo é aumentar a resiliência digital das organizações e reduzir o impacto de ataques cibernéticos sobre setores essenciais.  

Para isso, a diretiva estabelece requisitos mais rigorosos, amplia o escopo de empresas regulamentadas e padroniza práticas de segurança entre os Estados-membros. Entre os principais objetivos da NIS2, destacam-se: 

Reforçar os requisitos de segurança cibernética  

A NIS2 exige que as organizações regulamentadas adotem medidas avançadas de segurança, que incluem: 

  • Gestão e mitigação de riscos cibernéticos.  
  • Monitoramento contínuo de ameaças e resposta a incidentes.  
  • Implementação de processos de autenticação forte e controle de acessos.  
  • Adoção de políticas de criptografia e proteção de dados sensíveis.  

A nova diretiva também exige auditorias periódicas, para que as organizações demonstrem que estão cumprindo as diretrizes estabelecidas. 

Expandir o escopo de setores regulados  

A NIS1 cobria apenas alguns setores considerados críticos, mas a NIS2 amplia a regulamentação para incluir um número maior de indústrias estratégicas. A nova diretiva diferencia “entidades essenciais” e “entidades importantes”, abrangendo tanto setores de infraestrutura crítica quanto empresas de grande porte que prestam serviços relevantes para a sociedade. 

Essa mudança garante que mais organizações estejam obrigadas a adotar boas práticas de segurança, aumentando a resiliência geral do mercado europeu. 

Melhorar a cooperação entre os Estados-membros  

A falta de padronização da NIS1 dificultava a resposta a incidentes cibernéticos de grande escala. A NIS2 busca solucionar esse problema ao estabelecer diretrizes mais claras para a colaboração entre países, incluindo: 

  • Maior compartilhamento de informações sobre ameaças e incidentes entre os Estados-membros.  
  • Coordenação entre autoridades regulatórias europeias para garantir uma aplicação mais uniforme da diretiva.  

Além de proteger melhor as infraestruturas críticas, essa cooperação aprimorada fortalece a resposta coletiva da União Europeia contra ameaças cibernéticas emergentes. 

A implementação desses objetivos torna a NIS2 um instrumento essencial para aumentar a maturidade da segurança cibernética na Europa.  

Setores e entidades abrangidos pela NIS2  

Uma das principais mudanças da NIS2 em relação à NIS1 é a ampliação do escopo de empresas e setores que precisam cumprir os requisitos de segurança cibernética. Enquanto a NIS1 se aplicava apenas a um grupo restrito de setores críticos, a nova diretiva inclui uma gama maior de organizações essenciais para a economia e a infraestrutura da União Europeia. 

A NIS2 classifica as empresas afetadas em duas categorias: Entidades Essenciais (Essential Entities – EE) e Entidades Importantes (Important Entities – IE). 

Entidades Essenciais (EE)  

As entidades classificadas como essenciais desempenham funções críticas para o funcionamento da sociedade e da economia. Por isso, a NIS2 exige que essas empresas sigam regras de segurança mais rígidas e estejam sujeitas a fiscalizações mais rigorosas. 

Setores abrangidos: 

  • Energia (eletricidade, gás, petróleo, hidrogênio)  
  • Transporte (aéreo, ferroviário, rodoviário, marítimo, fluvial)  
  • Bancos e infraestrutura do mercado financeiro  
  • Saúde (hospitais, laboratórios e fornecedores de insumos)  
  • Infraestrutura digital (fornecedores de DNS, data centers, telecomunicações) Administração pública  
  • Espaço (infraestruturas relacionadas a satélites e comunicações espaciais)  

As Entidades Essenciais têm obrigações mais rigorosas de conformidade, incluindo a necessidade de auditorias frequentes e monitoramento contínuo de suas defesas cibernéticas. 

Entidades Importantes (IE) 

As Entidades Importantes também precisam cumprir os requisitos da NIS2, mas estão sujeitas a menos supervisão regulatória, sendo obrigadas a comprovar conformidade somente após um incidente ou investigação. 

Setores abrangidos: 

  • Gestão de resíduos e água potável  
  • Produção, processamento e distribuição de alimentos  
  • Serviços postais e de correios  
  • Indústria química e farmacêutica  
  • Manufatura de dispositivos médicos, eletrônicos e automotivos  
  • Serviços digitais e provedores de TI  
  • Pesquisa e inovação científica  

Embora as Entidades Importantes tenham menos fiscalização preventiva, elas ainda devem implementar políticas robustas de segurança cibernética e garantir que suas redes e dados estejam protegidos contra ameaças. 

Critérios de inclusão no escopo da NIS2  

Além da classificação por setor, a NIS2 determina que uma empresa pode ser enquadrada na diretiva se atender a critérios específicos, como: 

  • Número de funcionários: Geralmente, empresas com mais de 50 colaboradores devem cumprir a regulamentação.  
  • Faturamento: Organizações com receita superior a €10 milhões podem ser enquadradas na NIS2.  
  • Impacto econômico e social: Mesmo empresas menores podem ser classificadas como essenciais ou importantes caso desempenhem um papel estratégico para a infraestrutura ou a economia de um Estado-membro.  

Com essa ampliação do escopo, a NIS2 torna a segurança cibernética uma prioridade para um número maior de empresas, garantindo que tanto infraestruturas críticas quanto serviços essenciais adotem boas práticas de proteção contra ameaças digitais. 

Requisitos de segurança e obrigações das entidades 

Com a entrada em vigor da NIS2, as empresas classificadas como Entidades Essenciais e Importantes têm que se adequar às novas exigências regulatórias para garantir um nível elevado de segurança cibernética. A diretiva estabeleceu diretrizes detalhadas sobre gestão de riscos, medidas preventivas, resposta a incidentes e supervisão regulatória, criando um ambiente de maior resiliência digital na União Europeia. 

As organizações cobertas pela NIS2 são obrigadas a implementar uma série de requisitos obrigatórios, que incluem: 

Gestão de riscos e medidas de segurança cibernética 

A NIS2 exige que as empresas adotem uma abordagem baseada em risco, implementando controles rigorosos para reduzir vulnerabilidades e mitigar ameaças cibernéticas. As medidas incluem: 

  • Monitoramento contínuo e resposta a incidentes para detectar e neutralizar ataques em tempo real. 
  • Políticas de gestão de acesso e autenticação forte, reduzindo o risco de acessos não autorizados. 
  • Criptografia e proteção de dados sensíveis, garantindo que informações críticas não sejam comprometidas. 
  • Segmentação de redes e sistemas, dificultando a movimentação lateral de invasores dentro do ambiente corporativo. 

Além disso, empresas afetadas têm que realizar auditorias periódicas e testes de segurança para avaliar a eficácia de suas defesas. 

Procedimentos de notificação de incidentes 

A NIS2 estabeleceu prazos rigorosos para a notificação de incidentes de segurança cibernética, tornando a resposta a ataques mais ágil e transparente. O processo exigido para comunicação de violações inclui três fases: 

  • Notificação inicial: Empresas afetadas por um incidente significativo precisam reportar às autoridades competentes em até 24 horas após a detecção, fornecendo uma avaliação preliminar do impacto. 
  • Relatório detalhado: Em até 72 horas, é necessário apresentar uma análise mais completa do incidente, incluindo a causa, o impacto e as medidas de mitigação adotadas. 
  • Relatório final: Em até um mês, as empresas têm que fornecer uma explicação final sobre o incidente, detalhando as lições aprendidas e as ações corretivas implementadas. 

Pode ocorrer também:  

  • Relatório intercalar: Se existir um incidente em curso no momento da apresentação do relatório final. Neste caso, um novo relatório final deve ser apresentado no prazo de um mês. 

A exigência de notificação rápida e detalhada tem o objetivo de minimizar o impacto de ataques cibernéticos e garantir que as autoridades possam coordenar respostas eficazes para evitar que ameaças se espalhem. 

Responsabilidades da alta gestão 

Diferente da NIS1, a NIS2 introduziu responsabilidades diretas para os gestores e diretores das empresas regulamentadas. Isso significa que CEOs e membros do conselho podem ser responsabilizados caso suas organizações não adotem medidas adequadas de segurança cibernética. 

As principais obrigações da alta gestão incluem: 

  • Garantir que políticas de segurança cibernética sejam implementadas e supervisionadas ativamente. 
  • Assegurar que investimentos adequados sejam feitos para fortalecer a segurança da empresa. 

Caso uma organização descumpra as exigências da NIS2, os responsáveis podem ser penalizados não apenas com multas, mas também com sanções administrativas severas. 

Como a iT.eam pode ajudar na conformidade com a NIS2  

Diante das exigências da NIS2, as empresas precisam de parceiros confiáveis e experientes para garantir que sua segurança cibernética atenda aos novos padrões regulatórios. A iT.eam oferece um conjunto completo de soluções e serviços especializados para apoiar organizações na implementação das diretrizes da NIS2. 

Avaliação e mapeamento de riscos  

A iT.eam auxilia empresas na identificação e mitigação de vulnerabilidades, realizando avaliações detalhadas sobre: 

  • Conformidade regulatória com a NIS2.  
  • Capacidade de resposta a incidentes.  
  • Eficiência dos controles de segurança cibernética implementados.  

Consultoria especializada em segurança cibernética  

Nossa equipe de especialistas orienta empresas sobre boas práticas de governança de segurança, garantindo que executivos e gestores compreendam suas responsabilidades e implementem as medidas exigidas pela diretiva. 

Entre os serviços de consultoria estão: 

  • Desenvolvimento de políticas de segurança alinhadas à NIS2.  
  • Treinamentos para alta gestão e equipes técnicas.  
  • Suporte na adequação de processos internos para conformidade com a diretiva.  

Monitoramento contínuo e resposta a Incidentes  

A iT.eam fornece soluções avançadas de detecção e resposta, garantindo que as empresas possam identificar e reagir rapidamente a ameaças cibernéticas. Entre os serviços oferecidos estão: 

  • Plataformas SIEM e SOAR para automação e eficiência na resposta a incidentes. 

Certificações e reconhecimento de mercado  

A iT.eam se destaca como uma parceira confiável em cibersegurança, contando com certificações que garantem a qualidade e a conformidade de seus serviços: 

  • SOC-CMM Risk Driven: Primeiro SOC do mundo a obter o mais alto nível dessa certificação.  
  • ISO 27001 e ISO 27701: Segurança da informação e privacidade de dados. 

Com essa experiência, a iT.eam está preparada para apoiar empresas na implementação da NIS2, ajudando a garantir a conformidade regulatória e o fortalecimento das defesas cibernéticas. 

Um parceiro estratégico como a iT.eam é essencial para assegurar conformidade e fortalecer a postura de segurança cibernética. Se sua empresa busca um suporte completo para atender às exigências da NIS2, entre em contato com a equipe da iT.eam e descubra como podemos ajudar! 

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